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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"A culpa é desses nordestinos..."

Não demorou muito para que, logo após a definição das eleições, surgissem os primeiros comentários atribuindo a vitória de Dilma aos eleitores do Nordeste. E muitos muitos desses comentários vêm carregados de teor preconceituoso, chamando os nordestinos de “burros” por terem votado da Dilma.
Ora, não é necessário muita inteligência e nem muito conhecimento matemático para concluir que Dilma não foi eleita apenas com os votos do Norte e do Nordeste. Se Dilma recebesse 100% dos votos desses regiões (o que não aconteceu), e nenhum o voto do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ela não conseguiria ser eleita. Todos os votos do Norte e Nordeste não seriam suficientes para eleger Dilma.
Dilma foi eleita sim. Não apenas com os 70% dos votos dos Nordestinos.
Ela foi eleita porque 52,41% dos mineiros votaram nela.
Foi eleita porque 54,94% dos fluminenses votaram nela.
Foi eleita porque 46,47% dos gaúchos votaram nela.
Foi eleita porque 46,15% dos capixabas votaram nela.
Foi eleita porque 42,90% dos goianos votaram nela.
Foi eleita porque 39,02% dos paranaenses votaram nela.
Foi eleita porque 35,41% dos catarinenses votaram nela.
Foi eleita porque, até mesmo em São Paulo, ela recebeu um número considerável de votos. 35,69% dos paulistas votaram em Dilma.
Dilma foi eleita sim… Não apenas pelos Nordestinos, mas sim porque 51,64% dos BRASILEIROS votaram nela.
Portanto, se você acha que nordestino é “burro” por ter votado na Dilma, sinto em lhe informar duas verdades:
1. Nem todo nordestino é “burro”, pois nem todos votaram na Dilma.
2. Temos “burros” em todos os estados brasileiros, pois Dilma recebeu votos em todos eles. Não houve 1 estado sequer em que Dilma recebeu menos de 30% dos votos.
Portanto, há uma grande probabilidade de que você, mesmo morando no Sul/Sudeste, tenha um vizinho “burro”, um amigo “burro”, um familiar “burro”. E se você tem filhos crianças, ainda existe o grave risco de que, ao completarem 16 anos, estes se tornem “burros” e votem no PT. Afinal, muita gente nos nossos estados do Sul/Sudeste vota nesse partido.
Se você não percebeu isso, talvez seja a hora de considerar que burro não é o nordestino, ou quem votou na Dilma, mas quem nutre uma visão preconceituosa e racista que não consegue enxergar a inteligência, a beleza e a graça do povo e da cultura nordestina que tanto enriquece e engrandece o nosso país.
Espero que você leve em conta as considerações deste carioca que, ao contrário da maioria dos meus conterrâneos, não votou em Dilma (e não me considero nem um pouco mais inteligente por isso), que vive no Paraná (onde Aécio ganhou) e que vai casar com uma nordestina linda e inteligente.
Um abraço a todos.
E que Deus abençoe a presidente Dilma, as demais autoridades, e todo o povo brasileiro.
Anderson Paz, Conexão Eclésia
….
* A imagem que ilustra este post foi elaborada por Thomas Conti, Para fazer frente ao discurso de ódio, o economista desenvolveu um gráfico que mostra um Brasil mais uniforme. Ao invés de marcar com cores diferentes os estados onde um ou outro candidato venceu numericamente, Conti fez uma ponderação em relação à proporção de votos.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"Que bonitinho...mas tá errado!"

Via Conexão Eclésia-
  “A pessoa de Deus para sua vida arranca sorrisos, e não lágrimas”
    A frase acima promove uma expectativa falsa, ilusória, pois simplesmente não existe a pessoa que só nos faça rir, posto que sempre estaremos lidando com pessoas pecadoras, tal como nós mesmos somos. As pessoas que amamos nos fazem chorar, da mesma forma que elas choram por nossa causa. Somos pecadores.Nos últimos anos temos visto o surgimento de ministérios dedicados a promover entre os jovens a valorização da pureza sexual e da espera em santidade pelo casamento. Não se pode negar que esses ministérios têm alcançado bons frutos. Em meio a tantos jovens que vivem mergulhados na lama da impureza e imoralidade, ministérios que tratem desses assuntos são de especial importância. Contudo, podemos perceber que o discurso de alguns desses ministérios, ao mesmo tempo que carrega méritos, também pode induzir certos jovens a uma expectativa irreal, uma espera por algo que simplesmente não existe. Com suas abordagens sobre “príncipes e princesas”, produzem uma visão excessivamente romântica da vida, própria dos contos de fadas, que é falsa e nunca se realizará. Exemplo disso está na frase acima, que foi publicada no Facebook por um desses ministérios.
    Quando alguém decide se casar, está casando com um ser humano, portanto, com um pecador. Ainda que seja um discípulo de Jesus, comprometido de todo coração em acertar, ainda assim é um pecador, falho, imperfeito. Portanto, muitas vezes o casamento não será um espaço de alegrias, mas um exercício de perdão. Paulo já nos disse que o amor é sofredor. Ele tudo sofre (I Co. 13:7).
    Aquilo que só nos faz rir não é amor, mas é a paixão, cega, burra e ilusória.
    Se Jesus nos diz que devemos perdoar nossos irmãos 70 vezes 7, certamente isso se aplica aos cônjuges. Antes de serem marido e mulher, os cônjuges são irmãos em Cristo, co-herdeiros da mesma graça de vida (I Pe. 3:7), e por isso o casamento é um vínculo em que se deve viver integralmente mandamentos como:
    “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo” (Ef. 4:32).
    “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou” (Cl. 3:13).
    Se precisamos ter um coração perdoador, é porque sofreremos danos a serem perdoados.
    Além disso, precisamos lembrar que o casamento cristão tem por propósito ser uma expressão da relação entre Cristo e a Igreja. Por isso, o casamento também deve ser visto como algo que Deus usa para nos fazer mais parecidos com Jesus, para moldar o nosso caráter.  Um cônjuge que compreende esse propósito, não se fará cúmplice dos erros da outra parte. Não será como Safira, que foi cúmplice da mentira de Ananias. Muito pelo contrário, terá um coração disposto a, em amor, confrontar o pecado. E quando somos confrontados, muitas vezes choramos. Às vezes choramos por estarmos endurecidos e resistirmos ao confronto. Porém, por sermos discípulos de Jesus, nos quebrantamos, e o nosso choro será de arrependimento.
    Ora, se nem mesmo Deus, que é puro amor, nos trata apenas nos fazendo rir, porque podemos esperar que o cônjuge faça isso?
    Portanto, ao entrar no casamento, tenha clareza que você está descendo a uma das oficinas do Oleiro, onde Ele molda o barro. Nem sempre haverá risos. Haverá muitas lágrimas. Mas siga confiando que Deus está moldando a sua vida, para transformar o seu caráter e te fazer mais parecido com Jesus.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Defina seu coração

Via Conexão Eclésia

    Uma das mais conhecidas de Jesus é a parábola do semeador (Mateus 13:1-9). Vemos Jesus comparando os solos onde a semente caiu com o coração dos homens. Particularmente, sempre me identifiquei com o coração do versículo 5, que não deu frutos por não ter raízes, tal verso diz que a semente não tinha raiz porque a terra não era profunda.
    Será que alguém diria que o problema que levou aquele coração a não frutificar era a semente que fora plantada nele? Sabemos que não. Como a semente é a palavra de Deus, nela não há nada de ruim. O problema é quando uma semente perfeita encontra um solo que não lhe oferece as condições necessárias para ela lançar suas raízes, crescer e frutificar.
    Se o nosso coração não tiver terra profunda, todas as sementes, todas as palavras que forem ministradas a ele, vão nos alegrar somente no primeiro momento, mas depois com o passar do tempo, morrerão. E para tornar o nosso coração numa terra profunda precisamos romper com toda superficialidade. Acredito que isso é um fenômeno que ocorre toda vez que uma semente é lançada aos nossos corações, nesse momento temos uma decisão a tomar entre deixar o nosso coração aberto para que ela entre e mude tudo que Deus quer ou escolher ficar na superficialidade, deliberadamente, não permitir que ela entre com profundidade. E isso, essa escolha, só se toma da seguinte maneira: ou você pratica o que a palavra diz, ou não. Não há meio termo.
    Todo coração sem prática da Palavra é um coração raso e, nesse solo nenhuma semente cresce. Então diante disso, nos cabe analisarmos: que solo eu tenho sido? Um de terra profunda ou um raso, que não deixa a palavra penetrar, criar raízes e crescer? Diz Tiago que quando não praticamos a Palavra, estamos enganando a nós mesmos. (Tiago 1:22). Pense hoje em todas as sementes que foram plantadas na sua vida e escolha dizer não para a sua carne. Escolha cumprir o que lhe foi dado como Palavra de Deus, faça do seu coração um terreno fértil e frutífero, acolha com mansidão cada palavra que for ministrada ao seu coração e pratique cada uma delas. Sendo assim, você terá um coração profundo, onde sementes encontrarão espaço para crescer.

"Mas o que foi semeado em boa terra, é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta e outro trinta"   Mateus 13:23

Cristiano Brum
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